Esdras e o saxofone


Assistimos hoje, 24, no Teatro do SESC em Ceilândia, a gravação do terceiro CD de Esdras Nogueira e seu quinteto, Foi, por muitas razões, uma noite muito especial para terminar um dia particularmente triste para os brasileiros e os brasilienses em particular.

Primeiro, o teatro, bonito, muito bem equipado, uma acústica excelente, luzes, mesa de som (tripulada esta noite pelo fantástico Frango quem acompanha sempre Hamilton Holanda e outros grandes instrumentistas brasileiros), e uma equipe simpática e eficiente. O Brasil seria diferente com um teatro desses em cada cidade de tamanho médio, com programas o ano todo de grupos locais e artistas visitantes.

Segundo, o show, isto é, o disco novo, recriando, ao vivo, algumas das músicas de Hermeto Pascoal no Capivara - primeiro CD solo de Esdras – e outras autorais ou não de na Barriguda. Mimo extra: umas "faixas" inéditas, igualmente lindas, com a liberdade jazzistica do improviso, a paleta delicada e rica de alguns de nossos melhores e mais tradicionais gêneros, e uma batida que junta África e Caribe via Brasil.

Terceiro, e isso nada tem de pouco: as releituras das músicas dos dois primeiros CDs são um trabalho novo em que ressalta a afirmação do quinteto formado por Esdras (sax barítono), Marcus Moraes (guitarra), Rodrigo Balduíno (baixo), Thiago Cunha (bateria) e Leo Barboza (percussão).

Imagino o maravilhamento de um astrônomo quando depois de uma vida, por vezes, perscrutando os céus, testemunha o nascimento de uma estrela, ou a passagem de um cometa. Senti-me um pouco como eles: as releituras são feitas já por um quinteto com uma identidade própria que aproveita mas não se confunde com as personalidades musicais de cada um de seus membros. Bem vindo seja! Sorte a nossa.

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©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso