e deu empate negativo outra vez...


Deu empate negativo, outra vez. Nesse campeonato de segunda, Governo e oposição saem de ontem, como saíram da greve geral de 28 de abril último, com um ponto a menos na tabela...

Em abril, Governo e imprensa desconheceram ostensivamente os chamados à greve até os primeiros minutos da manhã de 28, quando algumas das maiores cidades do Brasil acordaram estranguladas, com suas populações impedidas de chegar a seu trabalho ou a qualquer outro lugar, por força da ocupação da cidade.

A tática de avestruz do Governo não inviabilizou a paralização das cidades. As centrais sindicais e forças da oposição que as acompanharam trocaram a greve – ato político – pela ocupação física dos pontos nevrálgicos de cidades já tão congestionadas.

Para completar o dia, os profissionais dos Black Blocks, os mercenários do vandalismo saíram a campo – quem paga? – e provocaram a polícia até levá-la e a seus quadros, quase nunca bem preparados, a uma reação de violência de que foram, como sempre, as maiores vítimas os manifestantes políticos.

Ontem, dia 24 de maio, mais do mesmo. As Centrais convocaram para um evento significativamente chamado Ocupa Brasília. Trouxeram em 500 ônibus ativistas e – ao que tudo indica – com eles também os profissionais do quebra-quebra.

Temo que, a despeito das negativas das centrais, tenhamos nós todos, outra vez, pagado com a contribuição sindical obrigatória, os ônibus, os ativistas e os mercenários. Seguramente seremos nós todos, com nossos impostos, quem pagará a conta das vidraças, computadores, documentos e instalações destruídas.

Menos um portanto para essa turma, enquanto se espera venham algum dia a ser cobrados, a título de responsabilidade civil, pelos estragos materiais. A conta pelo descrédito quem pode dar o preço é o eleitor.

Menos um também para o Governo que não preparou a polícia para reagir como necessário a uma convocação batizada de Ocupa Brasília. E, pior ainda, optou por chamar as Forças Armadas para garantir o cenário do quebra-quebra.

A imprensa lembra hoje que desde as Presidências Figueiredo e Sarney, as Forças Armadas não eram chamadas a ocupar as ruas ou preservar locais a serem periciados. As credenciais do primeiro e as circunstâncias do Governo do segundo dispensam comentários adicionais.


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